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...O equilíbrio necessário para a vida.

Postado por Maria Inez às 15:41
Certamente, hoje em dia, corremos o risco de ser apenas a vagar pela vida, cheias de afazeres e compromissos.


Certamente você já ouviu ou leu algumas vezes o texto evangélico da visita de Jesus à casa de Marta e Maria. Uma cena marcada pela beleza da amizade e repleta de ensinamentos. A cena nos revela uma casa acolhedora e duas irmãs preocupadas em dar o melhor de si para aquele que chega. Cada uma do seu jeito. Marta, preocupada com os afazeres da casa, com a cozinha, oferecendo o alimento; Maria sentada com Jesus, serena, bebendo suas palavras, curtindo a sua presença, acolhendo o presente que ele oferece.
Diante do quadro, como era a intenção de Jesus, é inevitável não se perguntar: com qual personagem me identifico mais? Sou Marta ou Maria? O que Jesus quer dizer quando fala que Maria escolheu a melhor parte. Ela estaria certa e Marta, errada?
Sabendo que toda narrativa bíblica é “simbólica”, vai além do que se vê e se ouve, podemos e devemos transportar para nossa vida pessoal, familiar, comunitária tudo aquilo que a cena revela.
Certamente, hoje em dia, corremos o risco de ser apenas Martas a vagar pela vida, cheias de afazeres e compromissos. Num mundo altamente globalizado, onde a competitividade move nossos impulsos, não temos mais tempo pra parar, rezar, silenciar ou até mesmo conversar com os amigos. Tudo isso se tornou sinonimo de perda de tempo, e ‘tempo é dinheiro’.
Infelizmente, só agimos como Maria quando nos encontramos em situações difíceis; sentamos aos pés de Jesus quando o medo ou a dor nos visita. Só paramos de trabalhar, quando a doença rouba as nossas forças, ou quando a idade pesa nos ombros.
Uma lição que nos vem logo é a importância do equilíbrio em tudo o que somos e fazemos. Há um tempo para tudo. Cada coisa tem o seu tempo e o seu lugar. Tudo na medida certa. Até o remédio em dose exagerada se torna veneno. E o veneno, na medida certa, bem usado, pode se transformar em vacina.
Na vida espiritual, podemos dizer que a ação sem oração e reflexão pode se tornar ativismo que esvazia. A oração sem compromisso, desligada do serviço, aliena e acomoda. O ativismo pode acabar escravizando. O fanatismo religioso é sempre um perigo.
Olhando para o gesto de Maria, vamos perceber que toda pessoa que acolhe verdadeiramente a Palavra também se sente impelida ao serviço. Toda Palavra anunciada e acolhida gera compromisso.
Por outro lado, Marta nos ensina que ninguém consegue viver inteiramente a serviço, sem uma pausa para refletir, avaliar, se alimentar, recarregar a bateria. Para produzir frutos precisamos fincar raízes no chão onde se encontra a seiva da espiritualidade.
Embora uma comunidade seja formada por pessoas diferentes; algumas mais ligadas ao serviço e outras ao silêncio e oração, é importante que todos busquem o equilíbrio entre escuta da Palavra e ação, entre celebração e compromisso. Sendo capazes de falar e escutar, ensinar e aprender, caminhar e parar, dedicar-se aos serviços pastorais e a si mesmos, estar atentos ao corpo e ao espírito. Devem transparecer em cada um de nós o corpo ativo de Marta e o coração passivo de Maria.

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